Rasgos de Mim

16/01/2008 10:25
Possibilidades

Envolvida por tantas possibilidades
Cercada por excitações e destemperos
Que poderiam colocar o freio
No sentir que perdeu a rampa
E rolou ribanceira abaixo
Sair lanhada
Sem trazer cicatrizes de prazer
É pular no abismo
Sem asas para amenizar a queda
Buscar você agora no pensamento
É remexer no baú empoeirado
De um passado que insistiu tanto
Em ser eternamente futuro
Sem qualquer chance de ser presente
Sair sem rasgos é tentar evitar o primeiro gole
Evitar o primeiro gole
É me afogar na angústia que o álcool anestesia
Anestesiar a pele
É conseguir caminhar alguns passos sem você
Caminhar com você é andar na contramão do próprio sentir
Caminhar sem você é não sair do lugar
É parar e esperar
Que a vida ponha na boca
O mel para anular o fel
Que escorre e puxa para fora do peito
Os sentimentos já espatifados
Por pedradas imprudentes
Mas o que exigir da vida
Se a vida é a construção da própria boca
Que beija e arranca arrepios, calafrios
E bloqueia qualquer forma de defesa
Indefesa estou, dependente de você
Do teu abraço, da tua boca molhada
Que desce e encharca o meu pescoço,
Ouvindo o pedido do corpo
Que te quer por inteiro,
Fora e dentro,
Nu e cru
Mas o mesmo verbo que te grita te rejeita
Porque já não aceita estilhaços de paixão,
Beijos que se formam inteiros depois de muitas lambidas
Abraços que só são acolhedores,
Depois de frouxas apalpadelas
O corpo não agüenta a hora marcada
A falta injustificada
A ligação que não se completa
O corpo quer plenitude
Por isso se mutila, se aniquila
E aguarda o próximo afago
Que não vem
Que não é direcionado
Já vem retalhado, dividido na metragem certa
Sem direito à saideira
Agora, o que fazer da migalhada?
Fugir para um canto da mente racional
Ou cair dentro,
Buscando o ar cá de fora
Para dar conta de tanta urgência de dentro?
Quem é você afinal?
De onde surgiu que me tirou o fôlego
Sem eu perceber?
Por que amarrou nas tuas as minhas mãos
Que poderiam arrancar o mal pela raiz?
Eu quero um culpado
Mas em quem colocar a culpa por todo esse meu sentir
E que esquisitice de sentir é este
Que não existia no meu universo
Mas que se torna um buraco imenso e escuro
Toda vez que te busco e não te alcanço
Ou não te encontro por perto?

enviada por Louise Tommasi






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